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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A era do “trabalhador visitante”: Como Reter Talentos na Era da Impermanência


    O mercado de trabalho brasileiro vive uma contradição que tira o sono de qualquer gestor de RH. Nasci na região do ABC, São Paulo, berço da indústria automobilística do Brasil e por isso muitos tios e primos trabalharam por décadas em grandes empresas automobilísticas, ficando suas vidas inteiras trabalhando em uma única empresa. 

Profissionais que dedicam várias décadas a uma mesma empresa estão cada vez mais difíceis de se encontrar.  No entanto, esse modelo de 'fidelidade por décadas', que ergueu as indústrias do ABC, colapsou diante da digitalização. O que antes era um porto seguro, hoje é visto pelas novas gerações como uma âncora. A transição não foi apenas cronológica, mas cultural: saímos de uma economia de manufatura, que valorizava a repetição e a senioridade, para uma economia de inovação, que premia a agilidade.

Atualmente uma nova força de trabalho que encara o pedido de demissão com a mesma naturalidade com quem rola o feed dos aplicativos. A grande pergunta que os gestores de RH estão fazendo não é mais apenas como contratar, mas como manter as novas gerações interessada em permanecer na empresa ao menos para amadurecer projetos e novas culturas dentro da empresa.

Historicamente, as organizações foram desenhadas para a longevidade. Planos de carreira, sucessão e treinamentos de longo prazo partiam da premissa de que o colaborador permaneceria na empresa por anos ou até mesmo até a aposentadoria. Hoje o veterano que celebra jubileus de prata é o símbolo de uma era onde a cultura organizacional era transmitida por osmose, mediante décadas de convivência e é visto como um ser em extinção.

Contudo, a Geração Z não tem mais paciência de ver o fruto florescer. Se a empresa não entrega desenvolvimento acelerado, bem-estar e propósito em ciclos semestrais, o jovem profissional não hesita em buscar a próxima oportunidade. Isso tanto é verdade que segundo o relatório Career Interest Survey da plataforma Adobe, a Geração Z tende a permanecer em média menos de um ano em seus cargos, buscando mobilidade rápida.

Para as empresas, esse cenário é um pesadelo. Conforme estudos da consultoria Gallup, o custo para substituir um funcionário pode variar de 1,5 a 2 vezes o seu salário anual, considerando recrutamento e perda de produtividade.

O erro de muitas lideranças tem sido tentar cativar essa nova força de trabalho com as ferramentas do século passado. Não se retém um jovem de 20 anos com a promessa de uma estabilidade que ele nem sequer deseja. O "sonho dourado" da CLT, para essa geração, é visto como um direito básico, não como um motivo de gratidão eterna como era no tempo de nossos avós e pais.

Para sobreviver a esse choque, as empresas precisam migrar da retenção por fidelidade para a retenção por relevância. Para lidar com a impaciência dos jovens profissionais em esperar anos por uma promoção, as empresas precisam implementar metas cada vez mais curtas e reconhecer conquistas com frequência, tornando o processo de evolução mais dinâmico e estimulante.

Além disso, é fundamental investir na digitalização e sistematização do conhecimento organizacional, garantindo que, mesmo que o colaborador permaneça pouco tempo na empresa, o saber estratégico não se perca com sua saída. Aliás, esse foi um ponto em que as empresas mais se descuidaram, pois mesmo com o desenvolvimento da IA algumas histórias e saberes apenas podem ser transmitidas de humano para humano.

Por fim, a flexibilidade tornou-se uma moeda valiosa: se antes a empresa era vista como uma extensão do lar, hoje o jovem encara o local de trabalho apenas como mais uma opção de onde pode exercer suas funções. Assim, ambientes rígidos e inflexíveis tendem a afastar talentos, reforçando a necessidade de adaptação por parte das empresas. Por isso as empresas devem cada vez mais adotar o regime semipresencial

O grande desafio das empresas para 2026 é aprender a lidar com o "trabalhador-visitante". O foco não deve ser mais em como fazer o jovem ficar 40 anos, mas em como garantir que os 12 ou 24 meses que ele passar na empresa sejam tão produtivos e intensos que o impacto compense a brevidade.

A estabilidade da CLT ainda é um pilar de atração para os jovens, mas a lealdade agora precisa ser conquistada diariamente. No novo mercado de trabalho, a empresa que não se adaptar à velocidade do jovem está condenada a ser apenas uma lembrança. 

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