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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Perguntas e respostas sobre mercado de trabalho e população 50+

Marcos Ferreira Foto : Divulgação

Marcos Ferreira, cofundador da Silver Hub, fala sobre a crescente presença da população 50+ no mercado de trabalho. Marcos analisa os fatores que impulsionam a permanência desses profissionais, como o aumento da expectativa de vida, a busca por propósito e a valorização da diversidade geracional nas empresas.

Ele destaca a importância da experiência e resiliência dos profissionais maduros, além de como eles podem se adaptar às rápidas transformações tecnológicas para permanecerem relevantes. A entrevista também aborda a flexibilidade nas carreiras, permitindo novos formatos de contribuição, como mentorias e consultorias, especialmente no pós-carreira.

Confira a Entrevista

Dados da FGV mostram um aumento expressivo de 69% no número de idosos ocupados nos últimos anos. O que esse crescimento revela sobre o atual mercado de trabalho brasileiro?

R: Esses dados da FGV devem ser comemorados, porque eles revelam que os maduros estão se mantendo ativos no que se refere à capacidade de geração de renda.

Isso se deve porque as empresas estão percebendo a importância de mantê-los conectados, mantidos na força de trabalho. Por outro lado, isso também é fruto do aumento da expectativa de vida. A transição de carreira desses profissionais acaba sendo de forma mais estruturada, ou seja, eles seguem conectados a empresas, a ambientes e negócios, a empreendimentos, garantindo a geração de renda para essa fase da vida.

Quais fatores você acredita que mais têm impulsionado essa permanência ou retorno dos profissionais 50+ e 60+ à ativa — necessidade financeira, busca por propósito ou mudanças culturais nas empresas?

R: Eu não indicaria que tem um único fator. Talvez tenha entre eles um fator mais preponderante, mais importante. Isso é fruto do aumento da expectativa de vida, como comentei lá atrás, essa população está buscando complementar a sua renda ou a formação da sua poupança para aposentadoria.

É verdade também que a manutenção dessa força de trabalho ativa nessa fase da vida está muito mais alinhada ao propósito de vida de cada um. Então, é natural imaginar que essas pessoas busquem posições ou busquem desempenhar funções mais alinhadas com o seu propósito de vida.

E também a gente já vê as empresas mais antenadas e preocupadas com a questão da intergeracionalidade, que é manter profissionais mais experientes para que possam fazer com que a força de trabalho seja composta por jovens, por maduros, por pessoas da meia-idade. Todas as estatísticas mostram que isso é mais produtivo e vantajoso para todas as organizações

Por que a diversidade geracional deve ser vista como um fator estratégico dentro das organizações?

R: Eu entendo que a diversidade geracional é um fator ultra, super, estratégico para as organizações, porque ela que garante que, no mesmo ambiente, possam coexistir distintas gerações marcadas, por um lado, pela jovialidade, pela interação tecnológica, e por outro lado por talentos maduros que têm muita experiência, que tem senioridade, que tem muito capital intelectual acumulado. Esse mix de especializações, de vivências, de experiências, faz com que a empresa possa navegar e enfrentar de forma mais tranquila seus desafios e a execução dos seus planos estratégicos.

Que habilidades ou atitudes tornam o profissional mais maduro um diferencial competitivo dentro das equipes atuais?

R: Eu acredito que o profissional maduro representa um fator muito importante dentro das organizações. Falando um pouco sobre as habilidades, é um conjunto entre habilidades constituídas ao longo da sua carreira e a visão e capacidade de se manter contemporâneo.

Acho que a chave para que esses profissionais maduros continuem sendo importantes para a organização tem uma correlação direta por ele se manter contemporâneo, ou seja, ele se manter um profissional também deste momento, deste tempo. Acaba sendo um esforço de agregar as habilidades que o mundo moderno exige, conseguir estar conectado no ambiente digital, entender as distintas características dos seus colegas de trabalho.

A vantagem do profissional maduro é a experiência, sua capacidade de resiliência, a vivência acumulada, o enfrentamento de situações no passado que dão a ele capacidade de antever o que pode acontecer no momento presente e no futuro. Entendo que essas são as mais relevantes.

De que forma esses profissionais podem se preparar para continuar relevantes no mercado — especialmente em um cenário de rápida transformação tecnológica?

R: Eu entendo que os profissionais podem se manter relevantes à medida que eles se mantiverem contemporâneos. Eu acho que aqui, ter essa visão de que você precisa ser um profissional contemporâneo é chave para se manter relevante no mercado de trabalho.

E, obviamente, se manter conectado. Aprender sobre tecnologia, garantir que você esteja inserido digitalmente, que você seja, por exemplo, um usuário conectado da inteligência artificial, afinal, esse é um diferencial competitivo importante para um maduro. Pela bagagem que tem, deve se relacionar também com essas novas ferramentas que exigem uma capacidade de apresentar questões e prompts bem formulados.
 

Então, eu diria que a visão que nos diferencia, porque eu sou 60+, é manter a contemporaneidade, ser um profissional desse tempo

Existe espaço para repensar as carreiras de forma mais flexível, permitindo diferentes formatos de contribuição, como mentorias, consultorias ou jornadas reduzidas

R: Sim, tem muito espaço para que você tenha múltiplas carreiras ao longo da vida. Não necessariamente aquela carreira que você iniciou, que você se consolidou profissional, pode ser aquela que vai te acompanhar no pós-carreira.


Aliás, eu acredito muito no processo em que a gente tem que se preparar para o pós-carreira, que é, depois de um período ativo numa organização e antes da aposentadoria definitiva, a gente tem que enfrentar uma nova etapa, que é a etapa do pós-carreira. Aquela etapa onde você tem mais flexibilidade, você pode conjugar melhor as suas necessidades pessoais com a disponibilidade de tempo, onde as suas habilidades profissionais e a sua experiência acumulada podem estar à disposição das empresas e das organizações de forma temporária, de forma flexível. Que você possa suprir, ocupar posições, projetos, por exemplo, por consultorias.

Eu entendo que tem muito espaço. Tem espaço com as startups, tem espaço nos projetos junto às organizações, tem espaço na com trabalhos voluntários, enfim, eu entendo que sim. Ao final, eu, por exemplo, me preparei para minha pós-carreira e hoje eu me ocupo com projetos que tem muito a ver com o meu propósito de vida. Acredito que isso pode acontecer com os outros profissionais maduros também.

Sobre Marcos Eduardo Ferreira - Marcos Eduardo Ferreira é especialista em longevidade e mercado securitário, empreendedor e investidor anjo com mais de 30 anos de experiência na MAPFRE, onde atuou como CEO no Brasil e América do Sul. Hoje assessora empreendedores e executivos em transição para o pós-carreira, promovendo a economia prateada e é advisor da 180 Seguros. Cofundador do canal Homens de Prata e da Silver Hub, aceleradora voltada a produtos e serviços do público 50+. Economista e contador com formação executiva pela IESE e FGV.


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