O agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, enfrenta dificuldades financeiras após encontrar uma substância semelhante a petróleo em sua propriedade, em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. A descoberta, ocorrida durante a perfuração de poços artesianos para buscar água, resultou na interrupção da produção agrícola e em uma dívida acumulada de R$ 25 mil. Sem conseguir irrigar a plantação ou alimentar os animais devido à falta de água, a família agora sobrevive apenas com o valor da aposentadoria.
Dívidas e interrupção da produção
A tentativa de encontrar água no Sítio Santo Estevão tornou-se um prejuízo financeiro para a família. Para financiar as obras, Sidrônio e sua esposa, Maria Luciene, contraíram dois empréstimos bancários que somam R$ 25 mil.
Antes da descoberta, a renda bruta mensal da propriedade era de R$ 2.069. Atualmente, o orçamento familiar está restrito ao salário da aposentadoria, de R$ 1.621, já que as atividades produtivas foram paralisadas pela escassez hídrica e pela impossibilidade de usar os poços contaminados pelo líquido escuro.
"Nem água e nem dinheiro, fiquei só com a dívida", afirmou o agricultor. A família relatou que a falta de chuvas e a ausência de uma fonte própria de água inviabilizaram a manutenção do rebanho e das culturas.
Aguardo de laudo técnico
A substância encontrada a cerca de 30 metros de profundidade foi analisada preliminarmente pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que indicou semelhanças com hidrocarbonetos. No entanto, o laudo oficial da Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda não tem data para ser divulgado.
Mesmo que a presença de petróleo seja confirmada, a legislação brasileira estabelece que recursos do subsolo pertencem à União. Dessa forma, o proprietário da terra não tem direito à exploração direta ou venda do combustível, dependendo de futuras regulamentações ou indenizações caso haja interesse comercial na área.
Alívio temporário nas contas
Nesta semana, a família conseguiu uma negociação com a instituição bancária para adiar o pagamento de uma das parcelas do empréstimo, no valor de R$ 1.800, que venceria este ano. A cobrança foi suspensa até o início de 2027 sem a incidência de juros adicionais.
Enquanto aguarda definições das autoridades, a rotina no sítio permanece limitada. A família depende do abastecimento por carros-pipa e gasta cerca de R$ 100 mensais com a compra de água mineral para consumo próprio.
Com informações do Diário do Nordeste
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